A inflação desacelerou para quase todas as faixas de renda em abril, com exceção das famílias de renda muito baixa. Os dados são do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A inflação das famílias de renda muito baixa, com ganho menor que R$ 2.299,82, avançou de 0,85% em março para 0,92% em abril. Já entre as famílias de renda mais alta, com renda superior a R$ 22.998,22 mensais, a taxa recuou de 0,85% para 0,24% no mesmo período.
Mesmo diante da alta maismenosintensa dos alimentos no domicílio, os reajustes mais fortes dos preços da energia elétrica e dos produtos farmacêuticos em abril foram os responsáveis para a aceleração inflacionária das famílias de renda muito baixa. Por outro lado, a melhora do comportamento do grupo transportes explicam o alívio inflacionário das demais faixas de renda, sobretudo com os aumentos menos expressivos dos combustíveis e das deflações das tarifas de ônibus urbano, dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas.
Com a incorporação dos dados de abril, os dados acumulados do ano mostram que a classe de renda baixa é a que apresenta a maior taxa de inflação (2,66%), enquanto a faixa de renda alta tem a menor taxa no período (2,44%). No acumulado em 12 meses, no entanto, as famílias de renda muito baixa seguem sendo as com menor variação inflacionária (3,83%), enquanto os domicílios de renda alta possuem a maior taxa (4,95%).
As principais pressões inflacionárias de abril vieram dos grupos “alimentos e bebidas” e “saúde e cuidados pessoais”. No primeiro caso, os destaques foram os reajustes de itens importantes da cesta de consumo, como arroz (2,5%), feijão carioca (3,5%), batata (6,6%), carnes (1,6%), ovos (1,7%) e leite (13,7%). Já para o outro grupo, a pressão veio da alta dos produtos farmacêuticos (1,8%) e dos artigos de higiene (1,6%), além dos reajustes dos serviços médicos (1,0%). Para as famílias de renda alta, também pesaram as quedas das tarifas aéreas (-14,5%) e dos veículos de aplicativo (-2,2%), gerouando um importante alívio inflacionário em abril para essas famílias.
Ao fazer uma comparação com abril de 2025, percebe-se que, embora todas as faixas de renda tenham registrado aceleração da inflação corrente, a alta de preços foi mais forte para as classes com menor poder aquisitivo. Além do desempenho menos favorável dos alimentos no domicílio, com alta de 1,6% em 2026, ante 0,83% em 2025, a alta da tarifa de energia elétrica (0,72%) e dos combustíveis (1,8%) neste ano comparativamente (0,72%) às deflações registradas no ano anterior (-0,08% e -0,4,5%, respectivamente) explicam grande parte da pressão inflacionária atual.
Fonte: ipea.gov
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